IPTV, torrents e processos: como a pirataria marcou a década

IPTV, torrents e processos: como a pirataria marcou a década

Independente da discussão a respeito de quando a década de fato acaba, o site TorrentFreak fez uma retrospectiva do mercado da tecnologia de um ponto de vista bem curioso: a pirataria.

Afinal, o compartilhamento ilegal de arquivos é bastante presente no cotidiano de vários usuários — e passa por uma série de transformações que dependem também de evoluções, retrocessos e novidades na indústria em geral.

Compilamos abaixo esses melhores momentos, fazendo a separação pela temática.

A queda de gigantes

Uma série de serviços clássicos de compartilhamento de músicas, filmes e outros arquivos deixou de existir na década, especialmente após grandes processos judiciais que tornavam insustentável a existência dos sites e programas. A década começou com uma virada de página histórica: o clássico Limewire acabou em outubro de 2010, após o resultado de uma batalha na corte.

Além disso, sites que forneciam hospedagem de arquivos entraram na legalidade para sobreviver ou morreram em definitivo — como o Rapidshare e o Grooveshark, ambos encerrando as ligações com a pirataria em 2015, e com o segundo serviço sempre negando os laços com a ilegalidade.

Além disso, uma enxurrada de sites e fornecedores de torrent foram desativados: Isohunt (2013), EZTV (2015), KickassTorrents (2016), Torrentz (2016), Mininova (2017) e o app Terrarium TV, em 2018.

Outros serviços ainda deixaram as atividades ilegais por outros motivos. O BTJunkie (em 2012) e o ExtraTorrent (em 2017) deixaram de funcionar por vontade própria de seus criadores, enquanto o Demonoid fechou as portas no ano seguinte por causa do falecimento do seu moderador, Deimos. Já o SkyTorrents ficou caro demais de se manter por causa da própria popularidade e também precisou encerrar as atividades.

Fique tranquilo, pois não nos esquecemos do Megaupload — ele merece uma seção especial mais abaixo.

Novos combatentes

Além de sites de hospedagem e buscadores de torrents, outros formatos de compartilhamento ilegal de arquivos apareceram ao longo dos anos. Talvez o mais popular recentemente seja o Popcorn Time, que apareceu pela primeira vez em 2014, foi desativado pelos próprios criadores e voltou tempos depois — com o mesmo nome, mas uma equipe diferente.

A segunda metade da década ainda marcou a popularização das IPTVs, que passaram a fornecer uma alternativa física e “pronta” a vários consumidores. Produtos como as Kodi boxes, com programação variada e comércio dinâmico, passaram a ganhar as manchetes a partir de 2016. Esse é talvez o serviço que mais incomoda as autoridades e instituições atualmente. Há quem chame os sites de “streaming pirata” ou que já trazem catálogos de fácil acesso, do tipo “clique e assista”, de Pirataria 3.0.

Trackers privados, que são sites que fornecem torrents e downloads de arquivos apenas para membros, conseguiram se manter escondidos e continuam existindo até hoje. A maioria é bastante discreta e mantém uma base fiel de membros.

Os processinhos

As autoridades e organizações responsáveis por direitos autorais não descansaram na década. Órgãos como a Motion Picture Association of America (MPAA) e Recording Industry Association of America (RIAA) reforçaram o cerco e aumentaram a quantidade de processos contra sites e serviços, que fecharam as portas aos montes, como você notou seções acima.

Até mesmo a Nintendo se destacou nesse segmento: em 2018, ela fechou dois sites de renome que compartilhavam ROMs da empresa. A comunidade protestou, já que muitos dos arquivos disponibilizados eram raros e não tinham qualquer forma legal de acesso pela empresa japonesa.

Quem tentou se desvincular de forma mais discreta é a Google: a empresa passou a remover alguns resultados com base em solicitações da MPAA e RIAA, além de esconder links para download de arquivos piratas ao máximo e baixar o ranqueamento de páginas de torrent.

Uma década de leis

O estabelecimento de leis que combatem e punem no setor também marcou os últimos anos. É possível destacar duas em especial: a SOPA e a PIPA, que viraram notícia em 2012 por acusações de censura e fizeram a internet inteira protestar contra a sua aprovação “apagando as luzes” de diversos sites. No fim das contas, elas não passaram e os protestos tiveram papel central nisso. Aqui no Brasil, o equivalente ficou conhecido como “Lei Azeredo”.

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